Coluna Olhar de Dentro
Muita chuva, mas pouca água: o alerta que não podemos ignorar
Nas últimas semanas, temos visto volumes de chuva na nossa
região como não víamos há muito tempo. Isso naturalmente traz uma sensação de
alívio e até a impressão de que o problema da água está resolvido. Mas a
realidade pode ser bem diferente. Chover aqui não significa que os principais
reservatórios que abastecem milhões de pessoas estejam se recuperando.
Um exemplo claro é o Sistema Cantareira, que opera com cerca
de 20 por cento, no menor nível desde a crise hídrica de 2014, segundo
informações divulgadas pela Agência Brasil. E o ponto mais preocupante é que,
mesmo com chuva dentro da média, projeções indicam que o armazenamento pode
seguir baixo para atravessar o período seco com segurança.
Isso mostra como a chuva pode enganar quando olhamos apenas
para a nossa realidade local. Ela pode estar forte em uma região e fraca
justamente onde a água precisa cair para alimentar mananciais estratégicos.
Quando a gente relaxa e volta a desperdiçar, a conta chega mais rápido do que
imaginamos.
Por isso, o recado é simples e direto. Mesmo com dias
chuvosos, precisamos continuar economizando e usando água de forma consciente.
A água é um recurso finito e a responsabilidade é coletiva. Cada torneira
aberta sem necessidade, toda lavagem de calçada, o desperdício em casa, tudo
isso pesa no sistema como um todo.
E existe ainda um outro alerta que essas chuvas escancaram.
Com a precipitação frequente, voltam a aparecer pontos de alagamento e
transtornos na cidade. Após novos episódios de chuva intensa aqui em Nova
Odessa, moradores voltaram a registrar alagamentos em pontos que já eram
conhecidos como críticos. Vias e bairros que historicamente sofrem com
enchentes tornaram a ficar debaixo d’água, evidenciando a falta de ações
estruturais permanentes. A cada novo temporal, o cenário se repete: ruas
interditadas, prejuízos materiais e insegurança para a população.
Esses episódios reforçam a necessidade de ações preventivas
e estruturais permanentes. Limpeza e ampliação do sistema de drenagem,
desassoreamento, monitoramento do nível do ribeirão e investimentos em obras de
contenção são medidas essenciais para evitar que os mesmos pontos voltem a
sofrer a cada novo temporal.
Passam os anos, mudam os prefeitos, mas as calamidades
continuam acontecendo. Isso revela um problema que vai além da chuva: trata-se
de planejamento urbano, investimento contínuo em infraestrutura e,
principalmente, compromisso com a prevenção. Não basta agir depois que a água
invade casas e comércios. É preciso antecipar, mapear áreas de risco, ampliar
sistemas de drenagem e manter a cidade preparada.
Que este seja um momento de consciência e ação. Usar a água
com responsabilidade, cobrar planejamento, prevenção é cuidar da nossa cidade e
proteger o futuro.
Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e
escritora. Juçara é formada em Pedagogia, Letras e Direito. Proprietária e
fundadora do Grupo Aposerv, que há 16 anos se dedica aos serviços
previdenciários administrativos. É Ex-Presidente da ACINO e atual Presidente do
Lions Club de Nova Odessa.

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