Polícia fecha cerco contra venda ilegal de canetas emagrecedoras na região
Operações realizadas pela Polícia Civil e Vigilâncias Sanitárias revelam atuação de clínicas clandestinas e esquemas de comercialização irregular de medicamentos utilizados para emagrecimento; delegado alerta sobre riscos à saúde
A comercialização irregular de canetas emagrecedoras e
medicamentos à base de tirzepatida, como o Mounjaro, tem sido alvo de operações
constantes da Polícia Civil e de Vigilâncias Sanitárias nas cidades da região.
As investigações envolvem consumidores e suspeitos com atuação em municípios
como Sumaré, Hortolândia, Paulínia, Americana, Monte Mor e Nova Odessa.
O aumento da procura por medicamentos voltados ao
emagrecimento despertou a atenção das autoridades, que identificaram um mercado
clandestino abastecido por produtos sem procedência comprovada e vendidos sem o
cumprimento das exigências legais e sanitárias.
Uma das principais ações ocorreu recentemente em Americana,
onde a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) prendeu um casal suspeito de
vender e aplicar ilegalmente canetas emagrecedoras à base de tirzepatida. A
investigação apontou que os produtos eram divulgados pelas redes sociais e
oferecidos a clientes sem acompanhamento médico adequado.
Durante a operação, os policiais apreenderam medicamentos,
materiais utilizados em aplicações, equipamentos eletrônicos e documentos que
podem auxiliar na identificação de outros envolvidos no esquema. A Vigilância
Sanitária também constatou irregularidades no local utilizado para os
procedimentos.
Em outra ação de destaque, a Delegacia de Investigações
Sobre Entorpecentes (Dise) de Americana interditou uma clínica de emagrecimento
suspeita de utilizar Mounjaro de forma irregular. Segundo as investigações,
havia indícios de manipulação inadequada do medicamento e aplicação em
desacordo com as normas sanitárias.
O delegado da Polícia Civil de Americana, Lúcio Antonio
Petrocelli, destacou que as forças de segurança têm ampliado a fiscalização
contra esse tipo de atividade. “A Polícia Civil, por meio da DIG de Americana e
outras unidades da região, tem intensificado o combate às chamadas clínicas
clandestinas por meio de ações investigativas especializadas e operações
conjuntas com órgãos de fiscalização, como Vigilância Sanitária, entre outros”,
afirmou.
Segundo o delegado, os trabalhos normalmente começam a
partir de informações recebidas pelas autoridades. “O trabalho normalmente se
inicia a partir de denúncias anônimas e informações de inteligência”, explicou
Petrocelli.
As apurações indicam que a rede de comercialização ilegal
não se restringe a Americana. Informações reunidas pelos investigadores apontam
que moradores de cidades vizinhas, como Sumaré, Hortolândia, Paulínia, Monte
Mor e Nova Odessa, também podem ter adquirido os produtos oferecidos pelos
suspeitos.
De acordo com as autoridades, grande parte das negociações
ocorria por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Os medicamentos
eram anunciados como soluções rápidas para perda de peso, muitas vezes sem
qualquer orientação profissional ou garantia sobre a origem dos produtos.
PERIGOS
Petrocelli alertou para os perigos envolvidos nos
procedimentos realizados em locais clandestinos. “Os riscos podem ser gravosos
e variar desde complicações leves até consequências irreversíveis. Podemos
citar infecções graves, procedimentos realizados por pessoas sem qualificação
técnica, uso de substâncias irregulares ou proibidas sem qualquer controle
sanitário, ausência de suporte médico emergencial e aplicação de técnicas
inadequadas, colocando em risco o paciente”, ressaltou.
Petrocelli: riscos podem ser gravosos e variar desde complicações leves até consequências irreversíveis
O delegado também destacou que muitas dessas clínicas
funcionam sem cumprir exigências básicas previstas na legislação. “Além disso,
muitas dessas clínicas funcionam sem qualquer autorização legal, de segurança e
higiene”, acrescentou.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem
reforçado os alertas sobre a circulação de canetas emagrecedoras irregulares e
orienta a população a adquirir medicamentos apenas em farmácias e
estabelecimentos devidamente autorizados. Produtos vendidos fora dos canais
oficiais podem ser falsificados, adulterados ou armazenados de forma
inadequada.
As investigações conduzidas pela DIG e pela Dise de
Americana continuam em andamento. A Polícia Civil reforça que denúncias podem
ser feitas pelo Disque-Denúncia 181, diretamente nas delegacias de polícia, por
meio das Delegacias Eletrônicas, quando disponível, ou ainda junto aos órgãos
de fiscalização sanitária municipais e estaduais.
“É importante que, sempre que possível, a denúncia venha
acompanhada de informações como endereço do local, nomes envolvidos, redes
sociais ou qualquer outro elemento que possa auxiliar na investigação. Toda
denúncia é analisada e pode ser essencial para evitar novos casos e proteger
vidas”, concluiu Petrocelli.

Deixe um comentário