Política
Velório: aliados e admiradores apontam Bacchim como um dos principais nomes da história recente de Sumaré

Velado sob homenagens, ex-prefeito Bacchim viabilizou CIS, UPA, Senai, Sesi, Samu e 3 mil casas no governo

Ex-mandatário morreu aos 67 anos e deixou legado de obras e articulações em prol de Sumaré; Bacchim esteve à frente da cidade por dois mandatos e obras na saúde e educação são marcas de gestões; velório reuniu autoridades e populares

Velado sob homenagens e comoção nesta quarta-feira (11), em Sumaré, o ex-prefeito José Antônio Bacchim (PT), de 67 anos, deixou como legado uma série de obras, serviços e articulações que marcaram a estrutura pública do município. Bacchim viabilizou, ao longo de sua trajetória no comando da cidade, o Centro Integrado de Saúde (CIS) de Nova Veneza, a UPA do Jardim Macarenko, a chegada do Senai, do Sesi, do Samu e mais de 3 mil moradias populares. A despedida aconteceu no Velório Municipal de Sumaré, no Cemitério da Saudade, e depois o cortejo seguiu para Piracicaba, onde foi realizado o sepultamento.

A morte de Bacchim na terça-feira (10) encerra a trajetória de uma das figuras mais influentes da política de Sumaré. Mais do que um nome histórico do Partido dos Trabalhadores na cidade e na região, Bacchim deixa como marca um conjunto de obras e serviços que ajudaram a moldar a estrutura da cidade.

Bacchim faleceu em decorrência de rompimento de úlcera, causando infecção, e estava internado havia algumas semanas, no hospital da Unimed, em Campinas. Nascido em Piracicaba, em 13 de março de 1958, ele completaria 68 anos na próxima sexta-feira (13).

Conhecido por muitos como Professor Bacchim, ele também era lembrado pela atuação no magistério, lecionando História e Filosofia, e pelo perfil de homem religioso, de convicções firmes e forte presença nos movimentos sociais. Para aliados, correligionários e moradores, Bacchim representava uma geração de líderes que viam na política uma ferramenta de transformação social, com foco nas famílias, nos menos favorecidos e no crescimento planejado da cidade.

Ele exerceu dois mandatos como vereador, entre 1989 e 1996, depois foi vice-prefeito por duas vezes, de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004. Na sequência, foi eleito prefeito em 2004, assumindo o comando da cidade em 2005, e permaneceu no cargo até 2008. Reeleito, governou novamente de 2009 a 2012. Ao longo desse percurso, se consolidou como um dos quadros mais importantes do PT local e regional.

Durante os anos à frente da prefeitura, Bacchim esteve associado a ações consideradas estruturantes. Uma das marcas de sua gestão foi a ampliação da rede pública com a implantação do CIS de Nova Veneza, da UPA do Macarenko, além de unidades de saúde e escolas. No campo da qualificação profissional e da educação, sua gestão é lembrada pela chegada do Senai e do Sesi a Sumaré, dois equipamentos vistos como estratégicos para a formação de mão de obra e para o desenvolvimento social e econômico da cidade.

Outro ponto frequentemente associado ao período em que governou o município foi a implantação do Samu, reforçando a resposta de urgência e emergência na área da saúde. Na habitação, Bacchim também ficou marcado por ter viabilizado mais de 3 mil casas populares, em um momento de forte expansão urbana de Sumaré. Para moradores, esse conjunto de entregas ajuda a explicar porque há quem o considere o “maior prefeito da história recente” da cidade.

A gestão de Bacchim também ficou ligada a marcos administrativos e institucionais. Entre os registros oficiais, está sua assinatura na reorganização e reestruturação do regime próprio de previdência social de Sumaré, medida formalizada em 2010. O então prefeito também atuou em tratativas relacionadas a grandes investimentos e projetos para a cidade, como a ampliação do Fórum de Sumaré, discussões sobre a expansão da Honda Automóveis, cobranças por obras viárias e participação em debates ligados à despoluição do Ribeirão Quilombo.

No campo econômico, um dado sempre lembrado por aliados é o reconhecimento de Sumaré, durante sua gestão, como a cidade mais dinâmica do Estado de São Paulo por dois anos consecutivos, em 2007 e 2008, em levantamento citado à época pela Gazeta Mercantil. Para seus apoiadores, esse resultado refletia uma combinação de expansão urbana, atração de investimentos, melhoria de serviços e fortalecimento da estrutura pública.

Além das entregas materiais, Bacchim cultivou uma imagem de gestor metódico, discreto e comprometido com o trato da coisa pública. Na primeira reportagem publicada pelo Tribuna Liberal sobre sua morte, aliados destacaram tanto o legado administrativo quanto o perfil do ex-prefeito.

PESO POLÍTICO

O peso político de Bacchim também vinha de sua capacidade de articulação e de sua presença na formação partidária local. Foi um dos nomes centrais da construção do PT em Sumaré, ainda em um período em que Hortolândia era distrito. Com o passar dos anos, se transformou em uma referência para gerações de militantes e lideranças do campo progressista na região.

MORADORES LEMBRAM BACCHIM COMO PROFESSOR, HOMEM EDUCADO E ACOLHEDOR

A morte do ex-prefeito de Sumaré, José Antonio Bacchim (PT), gerou grande comoção entre moradores, ex-alunos e pessoas que conviveram com ele ao longo de sua trajetória pública e educacional. Moradores destacam a atuação política e o legado como professor de História, lembrado por sua educação, humanidade e acolhimento.

Ex-alunos relembraram com carinho as aulas e a forma respeitosa com que Bacchim tratava os estudantes. Geralda Filha disse: “Meu eterno professor de História! Meus sentimentos a todos familiares e amigos”.

Sueli Pereira da Silva contou que foi aluna dele. “Professor de História, deu aula para mim no Maria Rosa. Que Deus conforte toda a família”. Para Maria de Fátima Lopes Machado, o reconhecimento vem pelo bem que Bacchim fez ao longo da vida. “Deus o acolha na Glória, pelo bem que fez! Descanse em paz”, comentou.

O ex-vice-prefeito de Nova Odessa, Luciano Domiciano, recordou a convivência na vida pública. “Fomos vice-prefeitos na mesma ocasião. Homem sério e justo. Meus sentimentos a todos familiares”, afirmou.

Alguns moradores lembraram momentos marcantes da política local. Juliano Farias destacou que ainda guarda na memória o jingle da campanha eleitoral de 1996. “O povo quer, vai ser assim: Dirceu Dalben, professor Bacchim”, escreveu, acrescentando que o ex-prefeito foi “um ser humano ímpar que ficará marcado na história de Sumaré”.

SIMPLICIDADE

Quem trabalhou com Bacchim também citou a simplicidade no dia a dia. Barto Carlos Silva contou que atuou por 19 anos na prefeitura como segurança e guardou lembranças pessoais do ex-prefeito. “Ele foi um grande amigo. Mesmo sendo prefeito, gostava de fazer brincadeiras quando chegava pela manhã”, relatou.

Moradores também ressaltaram o lado humano do ex-prefeito. Neide Nunes Maciel disse que a cidade guarda boas lembranças. “Só temos boas lembranças do nosso prefeito. Muito humano”.

Joseane Daniele destacou a importância de Bacchim. “Pessoa maravilhosa, humilde. Foi uma honra conhecer o professor. Deixou muita saudade”. Gislaine Carvalho lembrou da educação em cada encontro. “Sempre que encontrava com ele, muito educado”. Para Donizeti Souza, Bacchim deixa a marca de alguém que sabia acolher as pessoas. “Ser humano honrado e acolhedor. Que Deus conforte amigos e familiares”.

ANTIGOS ADVERSÁRIOS

Antigos adversários políticos de Bacchim estiveram presentes no velório, no Cemitério da Saudade, em Sumaré. Entre os que compareceram para a despedida estavam a ex-prefeita Cristina Carrara e Décio Marmirolli, que em diferentes momentos estiveram em lados opostos ao de Bacchim no cenário político municipal. O corpo chegou ao cemitério acompanhado por um cortejo formado por cinco viaturas da Polícia Municipal.

O deputado estadual Dirceu Dalben marcou presença, assim como o ex-prefeito Luiz Dalben. O prefeito Henrique do Paraíso também compareceu ao velório, bem como o prefeito de Hortolândia, Zezé Gomes, o de Nova Odessa, Cláudio Schooder, o Leitinho, além do ex-prefeito novaodessense Manoel Samartin, a deputada Ana Perugini, o nome nacional do PT, José Dirceu, e o ex-candidato a prefeito de Sumaré e aliado de Bacchim, Professor Tito.

Durante a cerimônia, lideranças do Partido dos Trabalhadores prestaram homenagens. Apontado como um dos expoentes mais atuais da legenda, Willian Souza ajudou a carregar o caixão ao lado do presidente municipal do partido, Roberto Vensel.  

HENRIQUE DECRETA LUTO OFICIAL DE TRÊS DIAS PELA MORTE DE JOSÉ BACCHIM

O prefeito de Sumaré, Henrique do Paraíso (Republicanos), assinou decreto que estabelece luto oficial de três dias em todas as repartições públicas municipais em virtude do falecimento do ex-chefe do Executivo, José Antonio Bacchim. A notícia da perda do ex-prefeito, carinhosamente conhecido como “Professor Bacchim”, causou profunda consternação nos meios políticos e sociais de Sumaré e região. Bacchim deixa um legado de décadas de dedicação à cidade.

Sua trajetória na vida pública foi marcada por uma ascensão sólida e pela presença constante nas decisões que moldaram o município nas últimas décadas. Além de sua atuação política, Bacchim era amplamente respeitado por sua carreira na educação. Como professor, cultivou uma relação de proximidade com a comunidade, o que lhe rendeu o apelido pelo qual era popularmente chamado.

No texto do decreto, o prefeito Henrique ressaltou que a medida é um dever do poder público para render “justas homenagens àqueles que, com seu trabalho, exemplo e dedicação, contribuíram para o bem-estar da coletividade”. “O falecimento do Professor Bacchim entristece a todos nós. Perdemos um homem público que sempre lutou pelos interesses dos cidadãos sumareenses e um cidadão exemplar que deixa um vazio imenso em nossa sociedade”, afirmou a administração municipal no decreto.

SOLIDARIEDADE

Durante o período de luto, as bandeiras nas unidades públicas permanecerão a meio-mastro. Segundo a administração, o sentimento de solidariedade e dor une a comunidade sumareense neste momento de despedida de uma de suas lideranças mais expressivas. 

Deixe um comentário