Reforma Tributária preocupa 60% das indústrias da região, revela pesquisa
Sondagem Industrial ouviu empresas associadas e seis em cada dez apontaram insegurança com mudanças tributárias; produção e faturamento recuaram e adequação às novas regras impostas ainda é parcial entre companhias regionais
Uma pesquisa divulgada pelo Centro das Indústrias do Estado
de São Paulo (Ciesp), por meio da regional de Campinas, revelou que seis em
cada dez indústrias da região estão apreensivas com a implantação da Reforma
Tributária.
A Sondagem Industrial de fevereiro, apresentada nesta
semana, analisou indicadores de desempenho das empresas associadas e avaliou o
impacto das novas regras tributárias, que entraram em fase de testes em
janeiro.
De acordo com o diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique
Toledo Corrêa, os dados mostram sinais de alerta. Houve redução na capacidade
produtiva, nas vendas, nos investimentos e na lucratividade.
Segundo ele, o cenário atual, somado à Reforma Tributária,
cria um ambiente de instabilidade para o setor. O dirigente defendeu mais
estímulos ao empreendedorismo e menos entraves às empresas.
“Juntamente com a Reforma Tributária, esses indicadores
corroboram para um momento bastante turbulento no dia a dia das indústrias. Com
isso, percebemos que o Brasil precisa de um impacto de empreendedorismo, de um
círculo virtuoso e não de um círculo vicioso, como o que vivemos hoje em dia. O
Brasil precisa mudar essa postura, porque as empresas que geram riqueza e
empregos estão sendo penalizadas por isso”, acrescentou.
A pesquisa aponta que 35% das empresas reduziram o volume de produção em fevereiro. Já o faturamento caiu para 55% das associadas, enquanto 45% registraram queda na lucratividade no mesmo período. Esses números apontam que o setor industrial atravessa um momento de retração.
ADAPTAÇÃO
Sobre a Reforma Tributária, 40% das empresas afirmaram estar
totalmente adequadas às novas regras, outros 40% disseram estar parcialmente
preparadas e 20% informaram que ainda não se adaptaram.
Para o vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana, o quadro é preocupante, especialmente diante da possibilidade de aplicação de multas a partir de abril. Segundo ele, a entidade tem promovido eventos e orientações para auxiliar as empresas no processo de adaptação.
COMÉRCIO EXTERIOR
O diretor do Departamento de Comércio Exterior, Anselmo
Riso, destacou que mudanças recentes nas taxas internacionais ainda estão em
análise, mas podem beneficiar as exportações brasileiras.
Em 2025, a região registrou exportações de US$ 3,59 bilhões
e importações de US$ 14,33 bilhões, gerando déficit de US$ 10,73 bilhões. Em
janeiro de 2026, as exportações e importações apresentaram queda em relação ao
mesmo período do ano anterior.
MUNICÍPIOS EM DESTAQUE
No início de 2026, os principais exportadores da região
foram Campinas, Paulínia, Mogi Guaçu, Sumaré e Valinhos. Já entre os maiores
importadores aparecem Campinas, Paulínia, Jaguariúna, Sumaré e Hortolândia.
Atualmente, o Ciesp-Campinas reúne cerca de 590 empresas em
19 municípios. Juntas, elas movimentam aproximadamente R$ 53 bilhões por ano e
empregam quase 98 mil trabalhadores.

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