Coluna Nutrição Além do Prato
Inflamação: vilã ou aliada? Entenda o que realmente acontece
no seu corpo
Nos últimos anos, a palavra “inflamação” se tornou comum em
conversas sobre saúde. Parece que tudo é culpa dela: cansaço, dor de cabeça,
mau humor. Nas redes sociais, proliferam listas de “alimentos inflamatórios” e
“anti-inflamatórios”, como se fosse algo simples e direto. Mas afinal, o que é
inflamação?
A inflamação é um mecanismo natural de defesa do organismo.
Funciona como um sinal de alerta para reparar danos ou combater ameaças. Isso
pode acontecer após um treino intenso, um corte, uma batida ou uma infecção.
Nesses casos, ela é benéfica: ajuda na cicatrização, combate microorganismos e
participa do processo de recuperação.
O problema surge quando essa resposta se mantém ativa por
muito tempo, mesmo sem uma causa evidente. Essa condição, chamada de inflamação
crônica ou de baixo grau, está associada ao aumento do risco de doenças como
hipertensão, resistência à insulina, aterosclerose e alguns tipos de câncer.
Um exemplo frequente é o excesso de gordura corporal. O
tecido adiposo, especialmente quando acumulado na região abdominal, produz
substâncias inflamatórias conhecidas como citocinas, que mantêm o organismo em
estado de alerta constante. Isso pode contribuir para alterações no metabolismo
e no sistema cardiovascular.
A boa notícia é que essa inflamação persistente pode ser
reduzida com mudanças no estilo de vida. Uma alimentação rica em frutas,
verduras, legumes, grãos, oleaginosas e gorduras boas, aliada à redução do
consumo de ultraprocessados, tende a melhorar o equilíbrio inflamatório.
Padrões como o estilo mediterrâneo, que combinam esses elementos, já
demonstraram benefícios nesse sentido.
O sono também desempenha papel importante. Dormir pouco ou
mal está ligado ao aumento de marcadores inflamatórios no sangue, como a
proteína C-reativa e a interleucina-6. Praticar atividade física regularmente,
por sua vez, ajuda a reduzir a inflamação sistêmica, assim como manter uma
hidratação adequada e encontrar formas de lidar com o estresse. Relações
sociais positivas também contribuem para o bem-estar físico e mental.
Vale lembrar que não existe um único alimento capaz de
“desinflamar” o corpo de forma isolada. O que faz diferença é o conjunto de
escolhas ao longo do tempo. E isso inclui equilíbrio: permitir-se comer algo
que gosta, mesmo que não esteja na “lista saudável”, também é parte de uma
rotina sustentável.
Entender o que é inflamação e como ela funciona ajuda a
evitar soluções simplistas e restrições desnecessárias. Com informação e
hábitos consistentes, é possível cuidar do corpo de forma eficaz e prazerosa.
Afinal, saúde não é viver com medo do que está no prato, mas construir um
estilo de vida que funcione para você.
Marina Rocha Luciano é nutricionista clínica esportiva,
formada pela UNICAMP (Universidade de Campinas) e com pós-graduação pela USP
(Universidade de São Paulo). Atua com foco na promoção da saúde e qualidade de
vida, melhora da composição corporal e da performance esportiva. Por meio de
uma nutrição com propósito, respaldada na ciência, busca promover autonomia
alimentar com estratégias individualizadas, eficazes e sustentáveis. Atende na
clínica Centerclin, em Sumaré.
Deixe um comentário