Colunas
Marina Rocha Luciano é nutricionista clínica esportiva e atua na promoção da saúde e qualidade de vida

Coluna Nutrição Além do Prato

Inflamação: vilã ou aliada? Entenda o que realmente acontece no seu corpo

Nos últimos anos, a palavra “inflamação” se tornou comum em conversas sobre saúde. Parece que tudo é culpa dela: cansaço, dor de cabeça, mau humor. Nas redes sociais, proliferam listas de “alimentos inflamatórios” e “anti-inflamatórios”, como se fosse algo simples e direto. Mas afinal, o que é inflamação?

A inflamação é um mecanismo natural de defesa do organismo. Funciona como um sinal de alerta para reparar danos ou combater ameaças. Isso pode acontecer após um treino intenso, um corte, uma batida ou uma infecção. Nesses casos, ela é benéfica: ajuda na cicatrização, combate microorganismos e participa do processo de recuperação.

O problema surge quando essa resposta se mantém ativa por muito tempo, mesmo sem uma causa evidente. Essa condição, chamada de inflamação crônica ou de baixo grau, está associada ao aumento do risco de doenças como hipertensão, resistência à insulina, aterosclerose e alguns tipos de câncer.

Um exemplo frequente é o excesso de gordura corporal. O tecido adiposo, especialmente quando acumulado na região abdominal, produz substâncias inflamatórias conhecidas como citocinas, que mantêm o organismo em estado de alerta constante. Isso pode contribuir para alterações no metabolismo e no sistema cardiovascular.

A boa notícia é que essa inflamação persistente pode ser reduzida com mudanças no estilo de vida. Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos, oleaginosas e gorduras boas, aliada à redução do consumo de ultraprocessados, tende a melhorar o equilíbrio inflamatório. Padrões como o estilo mediterrâneo, que combinam esses elementos, já demonstraram benefícios nesse sentido.

O sono também desempenha papel importante. Dormir pouco ou mal está ligado ao aumento de marcadores inflamatórios no sangue, como a proteína C-reativa e a interleucina-6. Praticar atividade física regularmente, por sua vez, ajuda a reduzir a inflamação sistêmica, assim como manter uma hidratação adequada e encontrar formas de lidar com o estresse. Relações sociais positivas também contribuem para o bem-estar físico e mental.

Vale lembrar que não existe um único alimento capaz de “desinflamar” o corpo de forma isolada. O que faz diferença é o conjunto de escolhas ao longo do tempo. E isso inclui equilíbrio: permitir-se comer algo que gosta, mesmo que não esteja na “lista saudável”, também é parte de uma rotina sustentável.

Entender o que é inflamação e como ela funciona ajuda a evitar soluções simplistas e restrições desnecessárias. Com informação e hábitos consistentes, é possível cuidar do corpo de forma eficaz e prazerosa. Afinal, saúde não é viver com medo do que está no prato, mas construir um estilo de vida que funcione para você.

Marina Rocha Luciano é nutricionista clínica esportiva, formada pela UNICAMP (Universidade de Campinas) e com pós-graduação pela USP (Universidade de São Paulo). Atua com foco na promoção da saúde e qualidade de vida, melhora da composição corporal e da performance esportiva. Por meio de uma nutrição com propósito, respaldada na ciência, busca promover autonomia alimentar com estratégias individualizadas, eficazes e sustentáveis. Atende na clínica Centerclin, em Sumaré.

Deixe um comentário