Política
Prefeitura quer inibir migração de moradores de outras cidades que buscam moradia subsidiada

Hortolândia propõe ampliar de dois para 15 anos acesso à moradia popular

Alteração no critério de tempo de moradia visa priorizar pessoas que vivem há mais anos na cidade; medida busca combater déficit habitacional e garantir justiça social; mais de 11 mil famílias estão aptas ao novo requisito proposto

O prefeito de Hortolândia, Zezé Gomes (Republicanos), encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que altera legislação de 2009, ampliando de 2 para 15 anos o tempo mínimo de residência exigido para famílias participarem de programas habitacionais de interesse social no município.

A proposta, aprovada por unanimidade pelo Conselho Municipal de Habitação, pretende priorizar cidadãos que vivem há mais tempo na cidade e aguardam há anos na fila por uma moradia. De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação, mais de 11 mil famílias inscritas no cadastro municipal atendem ao novo critério — muitas delas vivendo em submoradias, áreas de risco ou enfrentando ônus excessivo com aluguel.

Segundo o prefeito pontuou no projeto, a mudança busca corrigir distorções do sistema atual, que não diferencia famílias que estão na cidade há décadas de recém-chegados, além de conter o crescimento desordenado e impedir a migração de moradores de outras cidades motivada pela expectativa de atendimento rápido.

O levantamento histórico mostra que Hortolândia, apesar de ter produzido cerca de 3.800 unidades habitacionais desde a década de 1990, ainda enfrenta um déficit superior a 4 mil moradias, conforme o Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) atualizado em 2024.

CRITÉRIOS DE PRIORIDADE

O projeto também mantém critérios de prioridade para famílias em áreas de remoção, em processo de regularização fundiária, com pessoas com deficiência e com renda dentro da faixa 1 do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Se aprovado pela Câmara, o novo prazo de residência passará a valer imediatamente para todos os programas habitacionais municipais.

“Historicamente, Hortolândia enfrentou desafios significativos no setor habitacional, caracterizando-se como uma “cidade-dormitório”, com grande parte de sua população trabalhando em municípios vizinhos. Essa realidade, aliada à distância do então distrito em relação à sede que era Sumaré, fomentou a ocupação desordenada de áreas públicas e privadas, resultando no surgimento de elevado número de núcleos urbanos irregulares, levando ao crescimento populacional desordenado e ao adensamento populacional da cidade. Para enfrentar essa situação, o município, por meio de programas federais, estaduais e municipais, entregou cerca de 900 unidades habitacionais entre 1993 e 2010. Em 2012, o Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) diagnosticou um déficit de aproximadamente 6.000 moradias, formado por sub moradias, moradias insalubres e precárias, além daquelas em situação de risco e não passíveis de regularização. Desde então, foram produzidas cerca de 3.000 unidades habitacionais, totalizando aproximadamente 3.800 unidades, restando cerca de 2.200 famílias não contempladas”, pontuou Zezé Gomes.

“Nesse contexto, o critério atual de apenas 2 anos de residência para participação em programas habitacionais não prioriza famílias que estão há mais tempo na cidade e que historicamente contribuíram para o desenvolvimento do município, aguardando há anos por políticas públicas habitacionais. Visando corrigir tal distorção, propõe-se a alteração do critério de tempo de residência para 15 anos, priorizando os cidadãos que aguardam há mais tempo por moradia e promovendo maior justiça social na distribuição das unidades habitacionais”, defende.

Segundo o Executivo, mesmo verificando que a produção de unidades habitacionais de interesse social não tenha sido suficiente para erradicar o déficit habitacional, “ainda assim, o município tem sido muito mais efetivo que outros municípios da RMC, o que ocasiona a busca constante de moradores de outras cidades tentando ocupar áreas, na expectativa que Hortolândia seja capaz de atendê-los, o que na prática não será possível, pois os recursos públicos são escassos e a extensão territorial do município também, sendo que o município tem a menor extensão territorial da Região Metropolitana”.

A limitação territorial do município agrava o desafio. “Embora a maioria das cidades do entorno adotem o período de moradia de 10 anos, como Campinas, Sumaré, Valinhos e Paulínia, a elevação em nossa cidade para 15 anos de moradia visa enfrentar um problema que esses municípios não tem, que é essa limitação territorial. No nosso caso, o total de 28 mil inscritos no cadastro habitacional aponta para o tamanho do problema a ser enfrentado nas próximas décadas e uma óbvia incapacidade de atendimento no curto e médio prazo”, frisa. A proposta é analisada nas comissões do Legislativo.

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