Declaração de bens de Hélio Silva salta de R$ 201,8 mil para R$ 1,13 milhão
Presidente do Poder Legislativo de Sumaré, preso temporariamente durante a Operação Archimagus, apresentou à Justiça Eleitoral em 2026 patrimônio mais de cinco vezes superior ao informado na disputa municipal de 2024
A relação de bens apresentada pelo presidente da Câmara de
Sumaré, Hélio Silva (Cidadania), à Justiça Eleitoral aumentou entre as duas
últimas disputas eleitorais. Em 2024, o vereador declarou patrimônio de R$
201,8 mil. Para concorrer a deputado federal neste ano, o valor informado
passou para aproximadamente R$ 1,13 milhão.
Na prática, a diferença entre as duas declarações é de cerca
de R$ 929 mil. O montante registrado em 2026 corresponde a aproximadamente 5,6
vezes aquilo que havia sido declarado dois anos antes.
Hélio, que preside a Câmara Municipal de Sumaré, foi preso
temporariamente na quarta-feira (9) durante a Operação Archimagus. A
investigação conduzida pela Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime
Organizado) apura a atuação de um grupo suspeito de manter uma estrutura
voltada ao tráfico de drogas.
A evolução do patrimônio consta das informações apresentadas
pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral. O aumento, por si só, não comprova
irregularidade nem estabelece vínculo entre os bens declarados e os fatos
investigados pela operação policial. Quando disputou a reeleição para vereador
em 2024, Hélio registrou quatro bens. A lista incluía dois terrenos e duas
motocicletas, somando R$ 201.899.
Já na documentação eleitoral apresentada neste ano, o
patrimônio declarado tornou-se mais diversificado. Entre os itens relacionados
aparece uma caminhonete Ford Ranger 2024/2025, informada pelo valor de
aproximadamente R$ 330 mil. Também constam R$ 240 mil aplicados em previdência
privada, um apartamento em Sumaré avaliado em R$ 160 mil, além de terrenos,
aplicações, valores mantidos em instituições financeiras e participações
empresariais. Hélio atua também como empresário e declarou participação
societária em duas empresas.
INVESTIGAÇÃO MIRA ESTRUTURA FINANCEIRA
A Operação Archimagus cumpriu dois mandados de prisão
temporária e dez ordens de busca e apreensão. As diligências ocorreram em
municípios paulistas e também em Minas Gerais.
A apuração procura identificar como funcionava a estrutura
financeira e logística do grupo investigado. Entre as suspeitas estão a
obtenção de recursos para compra de drogas, armazenamento de entorpecentes,
transporte e abastecimento de pontos de comercialização.
Empresas e imóveis também entraram no radar dos
investigadores diante da possibilidade de terem servido de suporte às
atividades sob apuração. Durante o cumprimento do mandado na residência de
Hélio, agentes localizaram duas armas, 105 munições, joias, documentos e cerca
de R$ 18 mil em espécie, segundo a polícia.
Um veículo com identificação oficial da Câmara de Sumaré
também passou por perícia durante as diligências. O automóvel não foi
apreendido. As autoridades investigam qual teria sido o papel do vereador na
estrutura apurada pela operação. A prisão tem caráter temporário e serve ao
andamento das investigações.
Hélio não foi condenado pelos fatos investigados. As
responsabilidades individuais ainda dependem do avanço do inquérito e de
eventual análise do Poder Judiciário. Após a repercussão do caso, o Cidadania
decidiu afastá-lo das funções que exercia dentro da legenda em Sumaré. Hélio
ocupava a presidência municipal do partido.
Sua candidatura a deputado federal havia sido deferida pela
Justiça Eleitoral antes da operação. Uma prisão temporária não provoca
automaticamente a retirada de uma candidatura, e qualquer consequência
eleitoral dependerá de decisões posteriores.
Outro ponto passou a chamar atenção após a deflagração da
Operação Archimagus. Enquanto os investigadores tentam esclarecer se valores de
possível origem criminosa poderiam ter alguma destinação eleitoral, a prestação
de contas disponível da campanha de Hélio ainda aparece sem receitas ou
despesas registradas.
SEM ARRECADAÇÃO
Na consulta realizada aos dados eleitorais mais recentes, a
candidatura apresentava R$ 0 em recursos arrecadados, R$ 0 em despesas
contratadas e R$ 0 em pagamentos declarados. O limite permitido para gastos de
uma candidatura a deputado federal neste ano é de R$ 3,176 milhões. A prestação
de contas apresentada durante a campanha não é necessariamente definitiva.
Receitas, contratos e pagamentos podem ser incluídos posteriormente, conforme
os prazos e procedimentos determinados pela legislação eleitoral.
Por esse motivo, a ausência de movimentação registrada até
agora não permite concluir que a candidatura não tenha realizado atos de
campanha ou assumido compromissos financeiros.
Na eleição municipal de 2024, o então candidato a vereador
apresentou movimentação financeira. Naquele pleito, declarou aproximadamente R$
104,5 mil em gastos eleitorais.
A maior parcela foi direcionada à produção de material
impresso, que respondeu por cerca de R$ 85,7 mil das despesas. Hélio terminou
aquela eleição com 1.916 votos e conquistou novo mandato na Câmara de Sumaré.
DEFESA DE HÉLIO SILVA NEGA ACUSAÇÕES E DIZ CONFIAR NO ESCLARECIMENTO DOS FATOS
A defesa do vereador e presidente da Câmara de Sumaré, Hélio
Silva, divulgou uma nota de esclarecimento após a prisão do parlamentar no
âmbito da Operação Archimagus.
No comunicado, assinado pelo advogado Edilson Casagrande, a
defesa afirma que Hélio está tranquilo e mantém confiança na Justiça. O texto
também sustenta que o vereador tem convicção de que os fatos serão esclarecidos
no decorrer do processo.
A manifestação nega de forma enfática as acusações
atribuídas ao parlamentar. Segundo a defesa, Hélio sempre conduziu sua atuação
pública com base na probidade e na moralidade administrativa.
O advogado informou ainda que a estratégia de defesa será
conduzida exclusivamente dentro do processo e pelos instrumentos previstos em
lei. A nota também reforça respeito às instituições e confiança na apuração dos
fatos dentro do devido processo legal.
Hélio foi preso temporariamente nesta quarta-feira (9),
durante a Operação Archimagus, investigação que apura um suposto esquema
relacionado ao tráfico de drogas. O vereador nega as acusações.

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