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Hortolândia teve queda de 45,2% na taxa de assassinatos no estudo 2026 em relação ao anterior

Taxa de homicídios cresce nas cidades da região, diz Atlas da Violência 2026

Índices subiram em Americana, Paulínia e Sumaré, enquanto Hortolândia vive cenário de queda em assassinatos por 100 mil habitantes; dados também revelam número de homicídios ocultos nos municípios; Brasil teve redução recorde

Os novos dados do Atlas da Violência 2026 revelam cenários distintos da violência letal em municípios da região. Enquanto Americana, Paulínia e Sumaré apresentaram crescimento nas taxas de homicídios por 100 mil habitantes, Hortolândia registrou queda nos indicadores.

O levantamento foi divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e considera dados oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde.

Entre os municípios da área de cobertura do Tribuna Liberal com mais de 100 mil moradores, Americana apresentou uma das maiores altas proporcionais da região. A taxa de homicídios saltou de 4,08 para 7,7 casos por 100 mil habitantes, crescimento de 88,7%.

Paulínia também registrou alta. O município passou de 7,05 para 11,24 homicídios por 100 mil habitantes, aumento de 59,4%. Em Sumaré, a taxa subiu de 8,35 para 10,7 homicídios por 100 mil habitantes, elevação de 28,1%.

Na direção oposta, Hortolândia constatou redução da taxa de assassinatos. O índice caiu de 14,75 para 8,09 homicídios por 100 mil habitantes, diminuição de 45,2% em relação ao levantamento anterior.

Os números regionais aparecem em um momento em que o Brasil registrou o menor índice oficial de homicídios desde o início da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014. Segundo o relatório, o país contabilizou 42.590 homicídios em 2024, com taxa nacional de 20,1 mortes por 100 mil habitantes — redução de 7,4% em relação ao ano anterior.

Mesmo assim, os pesquisadores alertam para o crescimento dos chamados “homicídios ocultos”, casos em que mortes violentas acabam registradas sem definição clara da causa, dificultando a identificação da real dinâmica criminal no país.

‘PONTO CEGO’

O estudo aponta que o avanço das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada tem criado um “ponto cego” estatístico no sistema de segurança pública brasileiro. Para tentar corrigir esse problema, os pesquisadores utilizam modelos baseados em aprendizado de máquina para estimar quantas dessas mortes podem ter sido homicídios não identificados oficialmente.

Na região, Sumaré apresentou crescimento nos homicídios ocultos, passando de um para cinco casos no comparativo do levantamento. Hortolândia subiu de dois para três registros, enquanto Americana manteve um caso. Paulínia teve redução de três para dois casos de homicídios ocultos por 100 mil habitantes.

Segundo o Atlas da Violência, os homicídios ocultos cresceram 88,6% no Brasil entre 2023 e 2024, saltando de 3.755 para 7.083 casos estimados. Atualmente, eles já representam cerca de 14,3% dos homicídios do país.

Os pesquisadores alertam que a subnotificação pode comprometer diretamente o planejamento de políticas públicas, prejudicar investigações e mascarar a real dimensão da violência em determinados territórios.

VIOLÊNCIA AINDA AFETA JOVENS

O levantamento nacional também mostra que a juventude segue sendo a principal vítima da violência letal no país. Apenas em 2024, quase 20 mil jovens entre 15 e 29 anos foram assassinados no Brasil, média de 75 mortes por dia.

A população negra continua sendo a mais afetada pelos homicídios. Segundo o Atlas, a taxa de assassinatos entre negros é 170% maior do que entre não negros no país.

Além disso, o estudo aponta crescimento das notificações de violência contra mulheres, idosos, indígenas e população LGBTQIAPN+, especialmente em casos relacionados à violência doméstica, sexual e agressões interpessoais.

 


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