Justiça condena banco a pagar diferenças de planos econômicos a morador de Monte Mor
Decisão do Juizado Especial Cível reconheceu parcialmente
pedido de montemorense e obriga Banco do Brasil aplicar correção monetária dos
Planos Collor I e II em conta-poupança com saldos em 1990 e 1991
O Juizado Especial Cível de Monte Mor julgou parcialmente
procedente uma ação de cobrança movida por um morador contra o Banco do Brasil
S/A, reconhecendo o direito ao recebimento das diferenças de correção monetária
referentes aos Planos Collor I e II. A decisão é do juiz Gustavo Nardi.
Na sentença, o magistrado destacou que a instituição
financeira tem responsabilidade sobre a atualização dos valores que
permaneceram sob sua custódia na época dos planos econômicos. O banco, sucessor
do Nossa Caixa S/A, havia alegado ilegitimidade e prescrição, mas os argumentos
foram afastados. A Justiça reconheceu que o autor é cotitular da conta-poupança
e que a prescrição aplicável é a vintenária, conforme entendimento consolidado
pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a decisão, os extratos comprovam a existência de
saldos em abril de 1990, maio de 1990 e fevereiro de 1991. Assim, a sentença
determinou a aplicação de 44,80% de correção em abril de 1990 sobre a parte não
confiscada, além de 7,87% em maio de 1990. Para o Plano Collor II, o índice
fixado foi de 20,21% sobre os valores de fevereiro de 1991.
O juiz também reforçou que a correção monetária não
representa acréscimo, mas atualização do crédito, e determinou ainda a
incidência de juros remuneratórios de 0,5% ao mês, capitalizados mensalmente, a
partir da época em que os valores deveriam ter sido creditados, além de juros
de mora de 1% ao mês desde a citação.
O banco deverá pagar ao autor 50% das diferenças apuradas em
fase de liquidação de sentença. Caso haja recurso, será necessário o
recolhimento das taxas judiciais conforme regras do sistema dos Juizados.
“A correção monetária não se constitui em um plus, senão em
uma mera atualização da moeda, aviltada pela inflação, impondo-se como um
imperativo de ordem jurídica, econômica e ética. (…) O crédito pago sem
correção importa em um verdadeiro enriquecimento sem causa do devedor, e a
ninguém é lícito tirar proveito de sua própria inadimplência”, afirmou o juiz.
A decisão expõe precedentes consolidados em tribunais sobre
a recomposição de perdas em cadernetas de poupança decorrentes dos planos
econômicos do início da década de 1990.
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