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Após clamor popular, economista reconhece preocupação de empresários que precisam manter estabelecimentos abertos

Economista espera mais empregos e consumo maior ao fim da escala 6x1

Especialista avalia que mudança trará custos iniciais para alguns setores, mas poderá ampliar a produtividade das empresas, estimular contratações em 2027 e movimentar a economia com mais tempo livre para os trabalhadores

O fim da escala de trabalho 6x1 deve abrir caminho para novas contratações, estimular o consumo e melhorar a produtividade das empresas brasileiras a partir de 2027. A avaliação é do economista Roberto Brito de Carvalho, que considera a mudança um avanço para os trabalhadores e uma oportunidade para o setor empresarial modernizar suas atividades. Embora reconheça que o comércio e determinados segmentos industriais terão despesas adicionais durante a adaptação, o especialista acredita que os benefícios econômicos poderão superar os custos iniciais.

Na análise do economista, uma parcela significativa das empresas brasileiras já mantém funcionários em jornadas de cinco dias de trabalho por dois de descanso. Por isso, ele entende que a alteração na legislação não terá o mesmo peso para todos os empregadores. O impacto deverá ficar concentrado principalmente nas atividades que exigem atendimento presencial, horários fixos e funcionamento durante os finais de semana.

Roberto destaca que a expansão do trabalho remoto e a adoção de jornadas mais flexíveis já transformaram a realidade de diferentes categorias profissionais. Entretanto, estabelecimentos comerciais e algumas atividades produtivas precisarão reorganizar suas equipes para garantir a continuidade dos serviços com a ampliação do período de descanso dos funcionários.

Para o especialista, essa necessidade de adaptação poderá resultar na abertura de vagas já no começo do próximo ano. A expectativa é que empresas que dependem de trabalhadores presenciais tenham de ampliar seus quadros ou redistribuir funções para manter o atendimento e a produção.

O economista reconhece que as contratações representarão um aumento inicial das despesas, mas avalia que o processo também poderá levar os empresários a identificar desperdícios, melhorar a distribuição das tarefas e tornar suas operações mais eficientes.

Segundo Roberto, a transição não produzirá resultados imediatos. Ele estima que algumas empresas poderão levar aproximadamente um ano para ajustar completamente suas rotinas e alcançar melhores níveis de produtividade. Apesar disso, considera que o período de adaptação deve ser encarado como uma oportunidade de rever a organização do trabalho.

Na avaliação dele, a mudança representa um “grande avanço para a sociedade brasileira”, especialmente para os trabalhadores, que passarão a contar com mais tempo para descanso, convivência familiar e atividades pessoais. O especialista também entende que os empresários poderão se beneficiar da revisão de seus processos produtivos.

Outro efeito positivo apontado por Roberto está relacionado ao comportamento dos consumidores. Com mais dias livres, os trabalhadores terão maior disponibilidade para frequentar restaurantes, viajar, participar de atividades culturais e utilizar serviços ligados ao lazer. Esse movimento, segundo ele, poderá favorecer diferentes segmentos e ampliar a circulação de dinheiro na economia.

O economista acredita que o aumento do tempo disponível para atividades fora do trabalho poderá estimular novos negócios e fortalecer setores que dependem diretamente do consumo das famílias. Para ele, esse efeito tende a contribuir para uma atividade econômica mais intensa, compensando, ao menos parcialmente, os gastos adicionais enfrentados pelas empresas.

Apesar das perspectivas favoráveis, Roberto reconhece a preocupação de empresários que precisam manter seus estabelecimentos abertos diariamente. Segundo ele, esses negócios enfrentarão desafios maiores para reorganizar horários, distribuir folgas e contratar funcionários, especialmente durante os primeiros meses de vigência das novas regras.

A escala 5x2 entrará em vigor em 15 de dezembro de 2026, conforme a Emenda Constitucional 141/2026, promulgada pelo Congresso Nacional na última sexta-feira (16). A mudança estabelece duas folgas semanais e prevê a redução da jornada de 44 para 42 horas por semana na primeira etapa. O limite chegará a 40 horas semanais após um período de transição de 14 meses, sem diminuição dos salários.

EMPRESÁRIOS TEMEM

No último domingo (18), o Tribuna Liberal mostrou que o fim da escala 6x1 deverá exigir contratações e elevar os custos operacionais de empresas de Americana, Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa, Paulínia e Monte Mor.

Na reportagem, o advogado trabalhista Alex Junior destacou os benefícios da redução da jornada para a qualidade de vida e a produtividade dos funcionários, mas alertou para a necessidade de planejamento por parte dos empregadores.

Já o empresário Ednilson Fomentini, diretor da A Executiva, de Nova Odessa, demonstrou preocupação com o prazo de adaptação, a dificuldade de encontrar mão de obra e a possibilidade de repassar parte das novas despesas aos consumidores. Ele defendeu uma transição mais gradual e medidas para aliviar os encargos das empresas.

A avaliação do economista acrescenta uma perspectiva de crescimento econômico ao debate. Para ele, mesmo diante dos desafios enfrentados pelos empresários, a ampliação do descanso poderá estimular o consumo, gerar empregos e criar condições para ganhos de eficiência no setor produtivo.

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