Com chuva fora de mananciais, Estado pede economia e fala em ‘crise hídrica’
Campanha alerta para risco de desabastecimento diante da maior seca da década; mesmo com chuvas recentes, níveis de reservatórios estão baixos; Estado e cidades da região costuram a implantação do Sistema Adutor nas Bacias do PCJ
O Governo do Estado lançou nesta semana uma nova campanha
institucional para alertar a população sobre a gravidade da escassez hídrica e
a necessidade urgente de economizar água. A ação surge em meio a uma das mais
severas secas dos últimos dez anos, cenário que preocupa autoridades mesmo após
a ocorrência de chuvas em diversas regiões do Estado.
Com o conceito “Gota por gota. Mais do que nunca”, a
campanha diz que, apesar das precipitações recentes, os volumes não têm se
concentrado nos reservatórios, o que mantém o risco de desabastecimento. A
proposta é sensibilizar os moradores para a adoção de hábitos mais responsáveis
no dia a dia, destacando que o consumo consciente é fundamental para preservar
os mananciais.
A medida dá continuidade à campanha anterior, “Gota por
Gota. Todos por Todos”, e apresenta orientações práticas para reduzir o
desperdício. Entre as recomendações estão diminuir o tempo de banho, fechar a
torneira ao escovar os dentes ou lavar a louça, reaproveitar água sempre que
possível e evitar o uso de mangueira na limpeza de calçadas e quintais. As
peças também mostram comparativos do volume economizado em cada atitude,
reforçando o impacto coletivo das mudanças individuais.
Além de estimular a conscientização, a campanha destaca que
a situação dos reservatórios continua delicada mesmo em períodos chuvosos. O
material também aborda as ações do Estado para ampliar o monitoramento e
garantir maior segurança hídrica, incluindo investimentos superiores a R$ 25
bilhões destinados à modernização de sistemas, redução de perdas e ampliação da
capacidade de abastecimento.
Segundo o governo, os recursos visam enfrentar problemas históricos e preparar o Estado para os desafios impostos pelas mudanças climáticas, que têm provocado períodos mais longos de estiagem e maior irregularidade nas chuvas. A meta é assegurar o fornecimento de água tanto no presente quanto no futuro. A divulgação da campanha ocorre em TV aberta e fechada, emissoras de rádio, plataformas digitais e mídias externas, como painéis e mobiliário urbano.
De acordo com a Agência SP, responsável pela divulgação institucional do governo, a estratégia de comunicação será mantida ao longo dos próximos meses, com novas ações de impacto e reforço contínuo das orientações. A expectativa é transformar a economia de água em um hábito permanente. Com a campanha, o Estado busca mobilizar a sociedade para enfrentar o período crítico e evitar um agravamento da crise hídrica.
PROJETO REGIONAL
Enquanto isso, o projeto do Sistema Adutor Regional das
Bacias PCJ (dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), considerado estratégico
para garantir a segurança hídrica no interior paulista, será “referência
nacional”, segundo a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e
Logística, Natália Resende, que aprofundou o debate sobre a implantação do
sistema por meio de Parceria Público-Privada (PPP), em Campinas, recentemente.
A proposta foi discutida com a participação da presidente da
SP Águas, Camila Viana, e de representantes do Governo do Estado e dos Comitês
PCJ. O projeto integra as ações estaduais para ampliar a resiliência do
abastecimento nas bacias do PCJ.
A concessão do Sistema Adutor Regional PCJ prevê contrato de
30 anos e investimentos estimados em R$ 1,9 bilhão. A futura concessionária
ficará responsável pela construção e operação de três adutoras — Americana–Nova
Odessa, Louveira–Jundiaí e Pedreira–Campinas — além da manutenção das barragens
de Pedreira e Duas Pontes e de uma unidade de tratamento e despoluição do Rio
Camanducaia.
O Sistema Adutor Regional deverá beneficiar diretamente 21
municípios das Bacias PCJ, incluindo Americana, Hortolândia, Sumaré, Paulínia,
Monte Mor e Nova Odessa, ampliando a segurança hídrica para consumo humano e
desenvolvimento econômico. O modelo também prevê incentivos para cidades que
reduzirem perdas e ampliarem o tratamento de esgoto.

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