Colunas
Juçara Rosolen é empresária, escritora e atual Presidente do Lions Clube de Nova Odessa

Coluna Olhar de Dentro

Menos desperdício, mais consciência

Deixe-me contar a história de um tomate. Ele nasceu numa lavoura do interior, foi regado por semanas, cuidado por mãos que acordaram antes do sol. 

Cresceu bonito, foi colhido com cuidado, viajou de caminhão por quilômetros de estrada, passou pela mão do feirante que o escolheu um a um e chegou, enfim, à sua cozinha. Ali, foi guardado na gaveta da geladeira com as melhores intenções. E ali morreu, esquecido, até ganhar o destino mais melancólico que um alimento pode ter: o lixo.

Se essa história fosse rara, seria só uma anedota. Mas ela se repete milhões de vezes por dia. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação, cerca de um terço de todos os alimentos produzidos no mundo se perde ou é desperdiçado entre o campo e o prato. No Brasil, as estimativas apontam que cada família joga fora dezenas de quilos de comida por ano. E o mais desconfortável: boa parte desse desperdício não acontece na lavoura nem no transporte, acontece dentro das nossas casas, na compra exagerada, na gaveta esquecida.

Quando jogamos comida fora, vai para o lixo também: a água que a produziu, o trabalho de quem plantou, o combustível de quem transportou e o dinheiro, cada vez mais suado, que pagamos por ele. E fazemos isso num país onde ainda existem famílias sem ter o que pôr na mesa. É uma conta que não fecha, no bolso e na consciência.

A boa notícia é que salvar o tomate, e todos os seus companheiros de geladeira, é mais simples do que parece. Comece pelo planejamento: faça uma lista antes das compras e desconfie das promoções que empurram quantidade que você não vai consumir. Em casa, deixe os alimentos mais antigos na frente, à vista, e os novos atrás. Cozinhe na medida, e trate as sobras com respeito: o arroz de hoje vira bolinho amanhã, o pão amanhecido vira torrada, a fruta muito madura vira vitamina ou bolo. Talos, cascas e folhas, que costumam ir direto para o lixo, rendem refogados, caldos e sopas nutritivas. E o congelador é o melhor amigo de quem cozinhou demais.

Há ainda um passo além: a partilha. Se a horta rendeu, se a compra veio grande, se a festa sobrou, divida com quem precisa. Comida boa não merece lixeira e sim mesa.

Numa época em que todo mundo sente o peso do carrinho do mercado, combater o desperdício é uma economia inteligente. O planeta e o orçamento agradecem, e o tomate, finalmente, cumpre o destino para o qual atravessou tantas estradas.

E você, consegue lembrar qual foi o último alimento que jogou fora? O que teria sido possível fazer com ele?

 Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e escritora. Juçara é formada em Pedagogia, Letras e Direito. Proprietária e fundadora do Grupo Aposerv, que há mais de 17 anos se dedica aos serviços previdenciários administrativos. É ex-presidente da ACINO e atual Presidente do Lions Clube de Nova Odessa

Deixe um comentário