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Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e escritora

Coluna Olhar de Dentro

CNH 2026: menos burocracia, menor custo e novos desafios no trânsito

O ano de 2026 trouxe mudanças importantes para quem deseja tirar a Carteira Nacional de Habilitação. As novas regras prometem reduzir custos e tornar o processo mais acessível, algo que, para muitas famílias, sempre foi um obstáculo financeiro significativo.

Entre as alterações, está a flexibilização na obrigatoriedade de carga mínima extensa de aulas práticas, além da possibilidade de realizar o exame em veículos com câmbio automático. Outro ponto que gerou bastante debate foi a retirada da obrigatoriedade da prova de baliza em alguns contextos, algo que por muitos anos foi considerado um dos maiores desafios para candidatos.

Essas mudanças têm um lado muito positivo. Ao reduzir exigências que encareciam o processo, abre-se espaço para que mais brasileiros possam conquistar sua habilitação, ampliando oportunidades de trabalho, mobilidade e autonomia. Para muitos jovens e trabalhadores, especialmente em regiões onde o transporte público é limitado, a CNH representa uma porta de entrada para o mercado de trabalho.

Por outro lado, é impossível não refletir sobre os impactos dessas flexibilizações na formação dos novos condutores. O trânsito brasileiro já enfrenta altos índices de imprudência e hoje temos visto muitos acidentes acontecendo com mortes fatais. Esse é um alerta que não pode ser ignorado. A redução no tempo de formação prática pode resultar em motoristas menos preparados para lidar com situações adversas, direção defensiva e tomada de decisão sob pressão.

Permitir a realização do exame apenas em veículos automáticos também levanta questionamentos. Embora acompanhe uma tendência de mercado, pode limitar a experiência do condutor e reduzir sua adaptação a diferentes tipos de veículos.

A grande questão não está apenas nas regras, mas na responsabilidade individual. Mais do que cumprir horas obrigatórias, dirigir exige consciência, preparo e maturidade. A formação no trânsito não termina na autoescola. Ela começa ali.

Além disso, é fundamental reforçar uma mensagem que precisa ser permanente: se beber, não dirija. A combinação de álcool e direção continua sendo uma das principais causas de tragédias no trânsito. Precisamos de uma grande conscientização: cada escolha individual impacta famílias inteiras e pode mudar destinos de forma irreversível.

Facilitar o acesso à CNH é um avanço social importante. Mas precisamos garantir que acessibilidade caminhe junto com segurança. Afinal, cada novo motorista representa não apenas uma conquista pessoal, mas também uma responsabilidade coletiva nas ruas e estradas do país.

Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e escritora. Juçara é formada em Pedagogia, Letras e Direito. Proprietária e fundadora do Grupo Aposerv, que há 16 anos se dedica aos serviços previdenciários administrativos. É Ex-Presidente da ACINO e atual Presidente do Lions Club de Nova Odessa.

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