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Lanna Vaughan Romano é especialista em Direito Médico, Direito da Saúde, Direito da Farmácia e do Medicamento

Coluna Direito Médico e da Saúde

Quando a vida depende de uma decisão

Entre decisões urgentes e limites da medicina, médicos enfrentam responsabilidades que exigem preparo, equilíbrio e condições adequadas de trabalho. A medicina lida diariamente com aquilo que temos de mais precioso: a vida. Em consultórios, hospitais e serviços de urgência, médicos precisam tomar decisões que podem mudar o destino de uma pessoa.

Muitas vezes, fazem isso sob pressão, com informações incompletas e diante de situações que não permitem esperar. O trabalho médico envolve responsabilidade, mas também incerteza. Nem todo diagnóstico é evidente, nem todo tratamento produz o resultado esperado. Há doenças que evoluem de forma imprevisível e complicações que podem ocorrer mesmo quando a conduta foi adequada. Por isso, um desfecho negativo, por si só, não comprova erro.

É preciso avaliar as circunstâncias, a atuação profissional e a existência de dano relacionado a uma conduta inadequada. Isso não significa diminuir a responsabilidade do médico, o Código de Ética Médica veda causar dano por negligência, imprudência ou imperícia e estabelece que a responsabilidade profissional é pessoal, não presumida.

A apuração deve proteger os direitos do paciente e, ao mesmo tempo, considerar os fatos concretos de cada atendimento (Código de Ética Médica). Também é preciso olhar para as condições em que a assistência acontece, jornadas extensas, equipes reduzidas, serviços lotados e falta de recursos aumentam a pressão sobre profissionais e pacientes.

Essas dificuldades não justificam automaticamente uma falha, mas mostram que a qualidade do atendimento depende não apenas de quem está diante do paciente. Hospitais, gestores e poder público também têm responsabilidades, a Constituição reconhece a saúde como direito de todos e dever do Estado. Constituição Federal, arts. 196 e 197.

A confiança entre médico e paciente também se constrói com informação, explicar riscos, alternativas e limites do tratamento permite que a pessoa participe das decisões sobre a própria saúde. Em momentos difíceis, uma conversa clara pode não mudar o diagnóstico, mas ajuda o paciente e sua família a compreender o que está acontecendo.

Reconhecer o peso que recai sobre os médicos não é colocá-los acima da lei, mas lembrar que cuidar da vida exige profissionais responsáveis, pacientes respeitados e serviços de saúde com condições para oferecer atendimento seguro. Uma sociedade que valoriza a saúde precisa cobrar responsabilidade e, ao mesmo tempo, cuidar de quem trabalha para preservar vidas.

Lanna Vaughan Romano é advogada especialista em Direito Médico, Direito da Saúde, Direito da Farmácia e do Medicamento

E-mail: dra.lannaromano@gmail.com

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